Reformas em Portugal na cauda da Europa

Fevereiro 6, 2008 Vice

"Diário Económico
Nacional - Economia

Reforma 2008-01-22 10:21
Portugal em terceiro lugar dos países com as pensões mais baixas da Europa

Os portugueses tem das pensões mais baixas da Europa, a seguir aos húngaros e checos, tendo um desfasamento de menos 109 euros entre o que recebem mensalmente e o montante necessário para suportar as despesas domésticas, em que os piores casos são o da França (-362 euros) e da Bélgica (-271).

Cristina Barreto

Segundo os dados de um barómetro divulgado hoje pela agência Lusa, que envolve 26 países de todo o mundo incluindo Portugal, as pessoas activas gostariam de se reformar mais cedo do que a idade prevista actualmente, o que acontece de facto cada vez mais tarde.

Na generalidade dos países, a reforma significa um decréscimo do rendimento, mas a Hungria, Marrocos e Portugal são os países com piores expectativas quanto à evolução da qualidade de vida nesta fase.

O Japão é o país onde a reforma é sinónimo de nível de vida mais baixo, assim como em Portugal e em França, ao contrário da China, onde os inquiridos conseguem mais conforto financeiro através da reforma, seguido da Suíça, EUA, Canadá, Austrália, Alemanha, Reino Unido e Bélgica.

À semelhança dos italianos, húngaros e japoneses, os portugueses, tanto activos e reformados, são quem tem uma visão mais negativa da reforma, a que associam "morte, velhice, doença e dificuldades financeiras".

Os japoneses são os que mais trabalham ou querem trabalhar depois de reformados, com 78% da população activa a pretender ter uma actividade remunerada durante a reforma, seguidos dos marroquinos, portugueses e húngaros.

De todos os países inquiridos, Portugal e Marrocos são os que detém a maior percentagem de activos que desconhece o valor da sua futura reforma.

Portugal, Espanha, Itália e Hungria são os países que menos se preparam a reforma, ao contrário da República Checa e dos EUA que são os mais preparados.

Em Portugal, começa-se a poupar para a reforma ligeiramente mais tarde do que nos outros países e tendencialmente só depois de um acontecimento, como doença ou um acidente. O montante poupado por mês para a reforma pelos portugueses está, no entanto, acima dos países da Europa do Sul (Itália e Espanha), apesar dos rendimentos portugueses serem significativamente mais
baixos.

Portugal, Espanha e Marrocos são os que dão maior importância ao apoio emocional dos filhos para com os pais e Portugal é o país europeu em que a ajuda financeira dos filhos é a mais esperada.

Suíça, Canadá, Estados Unidos, Japão e Austrália são os países onde mais se poupa e os países anglo-saxónicos, especialmente Austrália e EUA, são os que mais investem em produtos de alto rendimento mas mais arriscados, enquanto que os portugueses, marroquinos e espanhóis são os que menos arriscam em investimentos dedicados à reforma.

Na maioria dos países europeus, as reformas dependem do Estado, mas a responsabilidade individual é em Portugal, Espanha e Itália menos considerada do que noutros países da Europa Ocidental.

Portugal está entre os países que mais consideram que o seu sistema de Segurança Social está numa situação caótica, acima da média da Europa Ocidental e Central, numa lista encabeçada pelo Japão, onde 98% dos activos e 94% dos reformados consideram um caos o sistema de Segurança Social.

Os italianos, chineses, espanhóis e franceses são os que mais esperam uma reforma da segurança social respectiva nos próximos 10 anos, enquanto que os portugueses, quase sem expectativas, só ganham aos alemães.

Portugal e Espanha são ainda os países que mostram maior interesse num sistema de pensões comum aos países da União Europeia, seguidos pela Polónia e a Hungria.

O Japão, seguido a longo passo pela China, é o país onde as pessoas, sobretudo as activas, mais aprovam um eventual aumento da idade mínima de reforma, acréscimo esse a que se opõem principalmente Portugal, Hungria, Alemanha, República Checa e a Suíça.

O estudo mostra ainda que os portugueses e os húngaros são os que menos se dizem "muito felizes" de todos os países inquiridos, e também os menos satisfeitos com a qualidade dos cuidados de saúde.

Portugal é o país que mais se preocupa com as alterações climáticas e o aquecimento global, mas quando se trata de pagar mais por soluções e produtos ecológicos a percentagem baixa em todos os países, sendo os portugueses um dos que menos dispostos a pagar.

A Suécia é um país frequentemente escolhido pelos europeus como o melhor para se viver daqui a vinte anos.

O Barómetro foi realizado em 26 países, num total de 18.114 entrevistas, pelo quarto ano consecutivo para a AXA Seguros, através de chamadas telefónicas realizadas pela empresa GfK Metris, entre meados de Julho e princípios de Agosto do ano passado, tendo o principal objectivo de "analisar e perceber as atitudes em relação à reforma, comparar a percepção e a realidade dos activos versus reformados ou em reforma antecipada e analisar os resultados de Portugal de um ponto de vista internacional"."