Paulo Teixeira Pinto, um reformado que vale ouro

Fevereiro 6, 2008 Vice

Consta que, em carta enviada ao jornal 'Público', este senhor, com 46 anos de idade, foi reformado em função de relatório de Junta Médica!

O senhor em questão, ainda que tenha sido considerado inapto para o trabalho, já arranjou um cargo numa consultora financeira.

Ah! Falta dizer que o pobre coitado recebeu uma indemnização de cerca de 10 milhões de euros, para além de ficar com uma reforma mensal no valor de 37.500 euros.

Neste país, o Sol quando nasce não é para todos. Da mesma forma a democracia, aquela ambição do pós 25 de Abril em julgávamos que iríamos ter direitos iguais e uma vida melhor, uma casa, um carro, o direito às férias, um sistema de saúde condigno, uma boa reforma, um sistema judicial onde também o cidadão menos abonado pudesse recorrer, também existe, mas na verdade é só para alguns.

Depois temos a questão das juntas médicas que mandam trabalhar pessoas que estão doentes, algumas mesmo em fase terminal, e a outras dá-lhes o direito à reforma por doença em circunstâncias que me parecem, no mínimo, duvidosas.

A maioria dos portugueses não sabe se virá sequer a ter reforma, muito menos poderá sonhar com uma pensão condigna. Lembram-se do que disse o nosso Ministro das Finanças em 2006?

Imediatamente abaixo coloco as ligações para alguns artigos que me parecem merecerem uma leitura.

"BCP perdeu mil milhões em três dias
Paulo Teixeira Pinto recebeu 10 milhões à cabeça

18.01.2008 - 08h57 Cristina Ferreira, PÚBLICO

O ex-presidente da comissão executiva (CEO) do Banco Comercial Português (BCP), Paulo Teixeira Pinto, saiu há cinco meses do grupo com uma indemnização de 10 milhões de euros e com o compromisso de receber até final de vida uma pensão anual equivalente a 500 mil euros.

A administração do BCP veio já esta semana informar que o resultado líquido registado no exercício passado, a divulgar na próxima semana, será inferior ao verificado em 2006, quando apresentou lucros de 780 milhões de euros. No terceiro trimestre desse ano o BCP lucrou 523,2 milhões de euros, valor que no período homólogo seguinte baixou para 478,3 milhões de euros (incluindo o abate de nove milhões de euros para custos de reestruturação).

A quebra nos resultados, explicou o BCP num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), resulta dos gastos realizados no quadro da Oferta Pública de Aquisição (OPA) falhada sobre o Banco Português de Investimento (BPI), mas também dos custos com as reformas dos gestores. Em 2007 Teixeira Pinto foi o único executivo a deixar o grupo, o que aconteceu num quadro grave e complexo de luta de poder entre accionistas (e gestores) pelo seu controlo. Em Setembro, o ex-CEO acabaria por renunciar ao lugar, que ocupava há mais de dois anos, garantindo uma indemnização à cabeça de 10 milhões de euros, o que o impede de voltar a exercer funções em instituições bancárias concorrentes. Teixeira Pinto garantiu ainda o pagamento (ao casal) de uma pensão anual vitalícia da ordem dos 500 mil euros. Ou que dá 35 mil euros por mês, 14 meses por ano.

Quando, na próxima semana, o BCP divulgar as contas anuais de 2007, estas deverão incorporar uma verba de 22 milhões de euros associada à demissão negociada de Paulo Teixeira Pinto, que entrou para o banco em 1995, assumindo a presidência em 2005. Nas contas anuais, o banco contabiliza a verba despendida com o seu anterior presidente logo à cabeça. No site oficial do BCP, está prevista a publicação das contas anuais de 2007 na próxima terça-feira.

O Banco Comercial Português (BCP) voltou ontem a ser fortemente penalizado em bolsa, tendo registado uma desvalorização de quase três por cento, encerrando nos 2,41 euros por acção.

Com o resultado de ontem, e desde a assembleia geral que elegeu novos órgãos sociais, a instituição agora liderada por Carlos Santos Ferreira já acumula uma queda de 11 por cento. O mesmo é dizer que, nos últimos três dias, o valor de mercado do banco caiu em mais de mil milhões de euros, com a capitalização bolsista a cair de 9,78 mil milhões de euros para 8,70 mil milhões, tendo em conta a cotação de fecho de ontem. Mas, na sessão de ontem, o desempenho dos títulos do maior banco privado português ainda chegou a ser mais negativo: o BCP chegou a estar a perder mais de seis por cento.

Na base desta quebra está, por um lado, a crise financeira internacional que afecta particularmente a banca, mas também os preços-alvo avançados pela UBS e pelo Deutsche Bank. No primeiro caso, o preço justo para o BCP foi fixado nos 1,85 euros e, no segundo, nos 2,20 euros."