Ordenados dos Sargentos

Janeiro 28, 2007 Vice

É sobejamente sabido que o nosso país vem atravessando uma época difícil, e que todos temos de contribuir para conseguirmos dar a volta à situação actual, o que exige sem dúvida um pouco de sacrifício de todos nós. No entanto, um outro fenómeno se tem verificado, mostrando-se através da revolta quase geral dos trabalhadores não estatais, que se tem avolumado, denegrindo os seus compatriotas trabalhadores do Estado, sejam Função pública, Forças Armadas, Forças militarizadas ou equivalentes, como a GNR e a PSP, impulsionados sabe-se lá por que 'forças estranhas' e 'maus ventos' que nos teem assolado.

Eu poderia tecer muitos comentários acerca desta situação mas não sou político (e Deus me livre de algum dia o querer ser) nem comentador político. Sou, apenas e sómente, um vosso compatriota que compreende bastante bem as dificuldades por que passam muitos dos portugueses, pois também eu já as passei.

Decerto ninguém gosta de ouvir certos comentários que chegam a ultrapassar a depreciação, e é por esse motivo que aqui coloco à disposição de quem o quiser ver, duas folhas de ordenado, de dois militares da Força Aérea. Uma relativa a um 1º Sargento de escalão 5, com indíce final que o equivale ao indíce 6 (último) e a outra referente a um militar do posto imediatamente superior, Sargento-ajudante de escalão 3. Desta forma contribuo da forma que me é possível para que possam entender um pouco o porquê dos últimos acontecimentos em que foram protagonistas as Forças Armadas, e para que assim possam formar o vosso juízo.

Devo esclarecer que tanto um 1º Sargento de último escalão como um Sargento-ajudante no 1º escalão vencem, se não exactamente o mesmo, um ordenado muito equiparado.

Os documentos em si traduzem a realidade e neles se podem fácilmente deduzir as diferenças mínimas que existem de um escalão para o outro, tão diferente dos aplicados em tantos outros vencimentos em Portugal.

Infelizmente existem muitas pessoas que vencem bastante menos e que merecem muito mais, no entanto não me parece que o mais correcto seja acusar os seus compatriotas e desejar que vençam tão pouco como eles. Deve-se sim lutar pelo contrário e ver em que lado mora a culpa.

Fica a esperança de um futuro melhor, senão para nós para os nossos filhos.