Renault Laguna 1.9 dci

O meu actual meio de transporte. Pois é! Quem diria que um monte de lata como este era vendido, em novo, por cerca de 35 mil euros em 2002?! É verdade. Ainda que eu o tenha adquirido em segunda mão, por metade do preço de novo, foi um autêntico desperdício.

Todos sabemos que um carro não é um investimento, pelo contrário, é dinheiro que se perde. Mas ao longo do tempo, assim pensamos nós. Com esta lata a coisa é totalmente diferente. Mas eu não o sabia. Infelizmente.

Quem tiver muito dinheiro para gastar sem saber como, para além de outros investimentos, pode comprar uma Laguna de 2002, ou de 2001, pois parece que a miséria é igual, e habilita-se a ir largando o dinheiro em turbos - rebentam frequentemente, vá-se lá saber porquê -, em leitores de cartões que também fácilmente avariam (a Renault já lhes baixou o preço de venda) e em cartões (também em saldos devido, segundo me constou, às inúmeras queixas).

Para quem desconhece, esta lata usa uma 'keycard', ou seja, um cartão electrónico que encaixa num leitor que descodifica o código inserido naquele e activa todas as funções do automóvel. Isto é tudo muito bonito, mas apenas quando funciona. De contrário... acho que entendem o resto.

Adquiri a viatura com cerca de 94 mil quilometros num stand que também vende automóveis no distrito de Beja. Apresentação impecável, nada a apontar.

Ainda que a marca indique no livro da viatura a mudança da correia de distribuição aos 120 mil, soube no concessionário que era aconselhável efectuá-la mais cedo, vá-se lá saber porquê! No entanto, antes de mandar efectuar tal manutenção, decidi contactar a Anvicar de forma a saber se eventualmente a mesma teria sido ali feita. Soube que não mas acabei por obter a informação de que aos 61 mil quilometros tinham sido efectuadas as substituições da embraiagem e do turbo! Achei estranho perante tão pouca quilometragem, mas não levantei qualquer questão.

Entretanto, aos 100 mil quilometros mandei mudar a substituição da correia de distribuição na Multiauto em Beja.

Cerca de 12 meses após a compra da viatura avariou-se o leitor de cartões. Esta situação desactivou a abertura e fecho automático das portas através dos sensores incluídos nas mesmas. Desactivou também o arranque do motor com um só toque no botão e o funcionamento do rádio com a chave (cartão) metido apenas até meio. Não percebi ainda se desactivou mais alguma coisa.

Depois do leitor de cartões, e cerca de 1 mês depois, foi a vez de avariar o cartão que tem 3 posições e que habilita a abertura e fecho automático das portas.

Quando se deu a última situação (perto do final de 2007), e por ter mudado de residência há uns meses, dirigi-me ao concessionário Renault de Torres Novas e solicitei um diagnóstico de forma a confirmar aquelas avarias. O mesmo foi positivo e indicaram-me, a meu pedido, preço aproximado de 250 euros para o cartão e para o leitor cerca de 400 euros. Como as avarias não obstavam ao funcionamento do motor e andamento da lata, decidi não gastar aquele dinheiro.

Entretanto já tinha efectuado a revisão dos 120 mil quilometros no concessionário da Renault no Entroncamento, dando seguimento às já efectuadas na Anvicar, Lisboa, mantendo desta forma o Livro de Revisões completo, sempre assistido na Renault.

'Que estupidez! Como se aquilo tivesse algum significado. Para além de gastar mais dinheiro que em qualquer uma outra boa oficina automóvel, nada mais há a dizer.'

Já agora, estou de acordo com um inquérito efectuado por uma conhecida revista portuguesa, pois confirmo que os ruídos do motor se vão ouvindo cada vez mais no habitáculo. Não sei se são vibrações, se se vai perdendo qualidade nos materiais de insonorização, a mim pouco me importam as desculpas que a marca possa dar, o barulho e ruídos interiores apareceram.

Ainda se lembram do preço em novo do chasso? Exacto... cerca de 35 mil euros, seja, cerca de 7 mil contos. Estão a ver, né? Se repararem, notarão que ficou apenas uns trocos abaixo de um BMW, um Audi ou um Mercedes.

Continuando...

Por volta dos 140 mil quilómetros andados, e para além das misérias atrás citadas, eis que o 'velhaco' me decide brindar com o (mais um) turbo avariado. Facto que me levou ao concessionário uma vez mais, solicitar diagnóstico da 'doença', confirmando avaria no turbo e necessidade de substituição do mesmo.

Eis que, não me considerando um 'Carlos Sainz' nem um 'Raikonnen', ou outros que se lhes assemelhem, não entendo, por mais que me tentem explicar, como é que gastando 35 mil euros se acaba por adquirir um banal veículo, se não pior, que rebenta tantos turbos, tem avarias em peças caríssimas que não deveriam avariar amiúde, que tem ruídos no seu interior não se percebe vindos de onde, vibrações e ruído do motor cada vez mais audível.

Desta forma vejo-me na perspectiva de tomar uma de duas acções:

- Ou gastar dinheiro nesta lata (o que me parece não merecer), ou
- Mudar de marca (opção que lamento não ter tomado antes de o adquirir).

Decidi entretanto falar com algumas pessoas conhecidas ligadas à mecânica automóvel e, por outro lado, efectuar pesquisa na internet sobre eventuais problemas relacionados com o turbo no modelo Laguna da Renault. Podem ver os links que coloco no final e que vão de encontro à opinião formada pelos mecânicos auto que contactei.

Acho pois que esta situação se deve a um erro de fabricação, não sei se do turbo ou de outro elemento que o faz avariar, mas o qual deveria ser assumido pela marca que anda para aí na TV a propagandear 'Construímos automóveis', em vez de acusar os vendedores dos mesmos.

Por isso contactei por carta a Renault Portugal, expus a situação e recebi a resposta que podem ver clicando aqui.

Concluo pois, a partir daquela missiva, que após o fim do período de garantia dado pela marca, aquilo que deveria ser um automóvel deixa de o ser e passa a banalidade. Ou, porque o comprei usado, o mesmo não presta. Pura e simplesmente.

Ao que parece, alguns boatos dando conta de que a Renault assumia no todo ou em parte os custos relativos à reparação, inclusivamente alguns que dizem ser os Lagunas anteriores a 2003 e que tenham menos de 150 mil quilometros, não têm, pelo que se depreende da carta que recebi da Renault Portugal, qualquer fundamento.

Grande Renault! Isto é que é construir automóveis. Então os proprietários que tenham adquirido latas desta marca devem tomar atenção após o período de garantia, bem como aqueles que os pensam adquirir em segunda mão. Cuidado, não prestam! Não são automóveis pelo que deixam de estar ao abrigo de qualquer responsabilidade por parte da marca.

É pois esta mais uma história triste que vou vivendo, por enquanto, devido a ter caído na patetice de acreditar numa marca que afinal também constrói 'cancros' mas que não os assume.

Como ainda tenho esta viatura, e porque gosto de ter em condições todas as coisas que possuo, vou mantendo o seu aspecto cuidado e, estupidamente, não o desleixo, como se pode ver nestas fotos.

Por isso aconselho a quem tem muito dinheiro e uma vida monótona; comprem uma lata igual à minha e, pelo contrário, para quem não tem muito para gastar, comprem um automóvel a sério e livrem-se de problemas.

Aos construtores da Renault apenas tenho a dizer que não é apenas ganhar nome e mandar os produtos para o mercado, é assumir também a responsabilidade do que se faz, o que creio é algo que já não faz parte do vosso vocabulário. É vergonhosa a posição tomada face a esta situação e à de muitos outros por vós lesados e que se têem queixado o que fácilmente se pode verificar consultando a internet.

Para os necessitados de um turbo, recondicionado ou novo, para o Laguna, fiquem a saber que paguei 501 euros por um recondicionado e que um novo fica à volta dos 900 euros. Na Renault, ficam por cerca de 930 euros e 1500 euros (Maio de 2008), respectivamente. Onde? Contactem-me.

RENAULT...  NUNCA MAIS.